quarta-feira, janeiro 23, 2008

Sobre tons

Um dia, quem sabe, as cores voltam às minhas palavras. Elas se perderam no escuro do meu vazio... Se um dia você for até lá iluminá-lo, talvez consiga resgata-las. Se o fizer, por favor, volte correndo e trague-as de volta à mim! Essas palavras escuras estão fora do meu domínio e a voz aguda que habita o meu interior tem sede de cores vivas, grita por sensibilidade e deseja tranformar a escuridão em tons brandos. Mas tudo que faço é cravá-las profundamente direto na veia, entornando no chão meu sangue rubro e denso, que em cores vivas ali permanece, perdendo gotas de vida e então escurecendo de cansaço.
Quando vejo, já virei vazio. Aquele vazio sem dó, bem agudo. Definitivamente, um vazio cheio de sí. O vazio sustenido cantado apenas por sopranos amargos, que a cada nota revelam as doçuras omitidas pelos tons mais graves da vida.

Em mim, os tons da música e das cores se misturam, tornam-se um único tom. Mas o que era pra ser um canvas desenhado em tons vibrantes, agora não passa de um poço escuro....... Frio.

Sem comentários: