Um dia, quem sabe, as cores voltam às minhas palavras. Elas se perderam no escuro do meu vazio... Se um dia você for até lá iluminá-lo, talvez consiga resgata-las. Se o fizer, por favor, volte correndo e trague-as de volta à mim! Essas palavras escuras estão fora do meu domínio e a voz aguda que habita o meu interior tem sede de cores vivas, grita por sensibilidade e deseja tranformar a escuridão em tons brandos. Mas tudo que faço é cravá-las profundamente direto na veia, entornando no chão meu sangue rubro e denso, que em cores vivas ali permanece, perdendo gotas de vida e então escurecendo de cansaço.
Quando vejo, já virei vazio. Aquele vazio sem dó, bem agudo. Definitivamente, um vazio cheio de sí. O vazio sustenido cantado apenas por sopranos amargos, que a cada nota revelam as doçuras omitidas pelos tons mais graves da vida.
Em mim, os tons da música e das cores se misturam, tornam-se um único tom. Mas o que era pra ser um canvas desenhado em tons vibrantes, agora não passa de um poço escuro....... Frio.


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